O que o MEXS 2023 reforçou na minha prática sobre dermatologia regenerativa

Regeneração não é volume. Entenda como bioestimulação de colágeno, qualidade tecidual e individualização por perfil geracional mudam a forma de indicar, combinar e avaliar tratamentos — com critério clínico, não com entusiasmo de mercado.

Infográfico editorial sobre dermatologia regenerativa: comparativo entre regeneração e volume, critérios para bioestimulação de colágeno e síntese do que o MEXS 2023 reforçou na prática clínica da Dra. Rafaela Salvato, CRM/SC 14.282.

Resumo: A dermatologia regenerativa só tem valor clínico real quando deixa de ser discurso e passa a orientar escolhas concretas. O MEXS 2023 — encontro internacional com curadoria técnica elevada — reforçou convicções que já guiavam minha prática: regenerar função tecidual não é sinônimo de volumizar; bioestimulação de colágeno precisa de indicação precisa, não de entusiasmo automático; e qualidade da pele frequentemente é o eixo central do plano, não um detalhe secundário. O que trago aqui não é um relato de congresso. É uma leitura filtrada sobre o que muda — e o que não muda — na forma de avaliar, indicar e individualizar tratamentos regenerativos.


Sumário

  • Por que este congresso merece ser lido a partir da prática, e não do evento
  • O que mais me chamou atenção nesse contexto
  • O que, entre tantas novidades, realmente considero relevante
  • Por que regeneração não é sinônimo de volume
  • O papel da bioestimulação quando a prioridade é qualidade da pele
  • Como microtox e outras estratégias só fazem sentido com objetivo clínico claro
  • O que esse congresso reforçou na minha forma de avaliar pacientes
  • O que esse congresso reforçou na minha forma de indicar, combinar ou recusar tratamentos
  • O que mudou, o que apenas confirmou e o que eu não adotaria automaticamente
  • 10. Como esse aprendizado se conecta à minha visão de naturalidade, segurança e resultado elegante 11. O que esta leitura ajuda a decidir melhor hoje 12. Conclusão editorial 13. Perguntas frequentes 14. Nota editorial e credenciais


    Por que este congresso merece ser lido a partir da prática, e não do evento

    Este texto não é uma cobertura do MEXS 2023. Não é um resumo de palestras, uma lista de lançamentos nem um registro de viagem. O que interessa aqui é outra coisa: o que um ambiente de atualização internacional com essa densidade técnica reforça, refina ou reorganiza na prática de quem já trabalha com dermatologia regenerativa há mais de seis anos.

    O Merz Aesthetics Expert Summit reúne dermatologistas e cirurgiões de diferentes países em formato de imersão, com curadoria focada em evidência e troca entre pares. Participar desse tipo de programa não significa adotar tudo o que se discute. Significa confrontar o que já se pratica com o que está sendo validado em outros contextos clínicos — e decidir, com mais critério, o que faz sentido manter, ajustar ou não incorporar.

    Para quem busca tratamento com critério, essa distinção importa. Existe uma diferença real entre uma médica que se atualiza para ampliar repertório e refinar decisão, e uma médica que se atualiza para ter o que anunciar. A leitura que ofereço aqui pertence ao primeiro grupo. O congresso funcionou como uma lente de aumento sobre convicções que já orientavam minha clínica — e, em alguns pontos, trouxe dados novos que refinaram a forma como avalio, indico e combino tratamentos voltados à qualidade tecidual.

    A dermatologia regenerativa ganhou espaço legítimo nos últimos anos, mas também ganhou ruído. Muita promessa de "regeneração" que, na prática, não passa de marketing com embalagem científica. O que este texto propõe é uma separação clara entre o que tem base clínica sólida e o que ainda depende de mais evidência, mais cautela e mais honestidade com a paciente.

    O que mais me chamou atenção nesse contexto

    Mais do que técnicas isoladas, o que chamou minha atenção no MEXS 2023 foi a maturidade da conversa sobre regeneração. Nos últimos anos, o discurso estético internacional oscilou entre dois extremos: de um lado, a volumização exagerada que marcou uma geração inteira de procedimentos; de outro, a promessa de regeneração como solução mágica, quase mística, capaz de reverter o envelhecimento sem efeito colateral e sem nuance.

    O que encontrei nesse ambiente foi diferente. A discussão sobre bioestimulação de colágeno, sobre Radiesse como indutor tecidual, sobre microdoses de toxina botulínica e sobre abordagens orientadas à skin quality não estava centrada em novidade. Estava centrada em precisão de indicação.

    Isso muda tudo. Quando a conversa técnica deixa de girar em torno de "qual o produto mais novo" e passa a girar em torno de "para qual paciente, em qual momento, com qual objetivo", o ganho é de qualidade clínica. E é exatamente esse tipo de refinamento que eu trouxe para a minha prática — não um protocolo novo, mas uma forma mais precisa de decidir quando cada recurso faz sentido.

    Outro ponto que me chamou atenção foi a ênfase em perfis geracionais. A discussão sobre como uma paciente de 35 anos responde à bioestimulação de modo diferente de uma paciente de 55 anos não é nova, mas raramente aparece com a profundidade que vi nesse contexto. Espessura dérmica, grau de fotodano, reserva biológica de colágeno, expectativa de resultado — tudo isso varia conforme a fase de vida. Tratar essas pacientes com o mesmo protocolo é um erro que a atualização criteriosa ajuda a evitar.

    O que, entre tantas novidades, realmente considero relevante

    Relevância clínica não é sinônimo de novidade. Essa frase pode parecer óbvia, mas na prática do mercado estético brasileiro — e internacional — a confusão entre os dois conceitos é constante. Produtos novos recebem mais atenção do que indicações refinadas. Congressos são frequentemente avaliados pelo que apresentaram de inédito, não pelo que ajudaram a entender melhor sobre o que já existe.

    No MEXS 2023, o que considero realmente relevante foi a consolidação de três diretrizes que já orientavam minha conduta, agora com mais dados e mais consenso internacional:

    Primeira: a qualidade tecidual da pele — densidade dérmica, viço, textura, firmeza — é um eixo de tratamento por si só, e não apenas uma consequência secundária de outros procedimentos. Muitas pacientes chegam ao consultório pedindo preenchimento quando, na verdade, o que elas precisam é de restauração da função do tecido. Confundir essas duas demandas leva a resultados insatisfatórios — ou, pior, a resultados que parecem bons no primeiro mês e perdem coerência com o tempo.

    Segunda: a bioestimulação de colágeno com agentes como Radiesse diluído ou outros indutores não é um procedimento genérico. Sua eficácia depende de indicação precisa — do tipo de pele, da idade do tecido, do grau de flacidez, da expectativa da paciente. Usar bioestimulador como se fosse um protocolo universal é uma forma elegante de cometer um erro clínico.

    Terceira: a integração entre abordagens — toxina, bioestimulação, laser, cuidados tópicos — precisa obedecer a uma lógica de priorização, não de acúmulo. Mais procedimentos não significam melhor resultado. A ordem, o intervalo, a combinação e, muitas vezes, a decisão de não fazer determinado procedimento são tão importantes quanto a técnica em si.

    Por que regeneração não é sinônimo de volume

    Esse é um dos pontos mais mal compreendidos na dermatologia estética atual. A palavra "regeneração" evoca restauração, reparo, retorno a um estado funcional melhor. A palavra "volume" evoca preenchimento, projeção, adição de substância. São processos diferentes, com indicações diferentes, expectativas diferentes e — o que muitas vezes se ignora — pacientes diferentes.

    Regenerar a função tecidual da pele significa estimular a produção de colágeno, elastina e matriz extracelular de modo que o tecido recupere espessura, firmeza e qualidade. O resultado não é necessariamente mais volume. É uma pele mais densa, mais coesa, com melhor comportamento à luz e ao toque. Muitas vezes, o resultado mais elegante é justamente aquele em que a paciente percebe melhora sem conseguir apontar exatamente o que mudou.

    Volumizar, por outro lado, significa adicionar substância em regiões que perderam projeção — malar, mandíbula, mento, sulcos profundos. É um recurso legítimo e frequentemente necessário. Mas que precisa ser separado, conceitualmente e clinicamente, da regeneração.

    O problema surge quando clínicas usam o termo "regeneração" para descrever qualquer procedimento que não seja toxina botulínica convencional. Bioestimulador vira "regeneração". Skinbooster vira "regeneração". Até preenchimento com ácido hialurônico, em algumas narrativas, vira "regeneração". Essa inflação semântica confunde a paciente e desvaloriza o conceito.

    Na minha prática, a distinção entre regeneração e volume não é apenas teórica. Ela muda a consulta. Muda a indicação. Muda a sequência de tratamentos. E, principalmente, muda a expectativa — porque uma paciente que entende que seu plano é regenerativo sabe que o resultado será progressivo, sutil e cumulativo, e não imediato e dramático.

    O MEXS 2023 reforçou essa separação com dados sobre como bioestimuladores atuam na matriz extracelular de forma diferente dos preenchedores volumizadores. A evidência confirma o que a clínica já mostrava: são ferramentas complementares, não intercambiáveis.

    O papel da bioestimulação quando a prioridade é qualidade da pele

    Nem toda paciente que busca melhora estética precisa de volume. Muitas precisam de qualidade. Essa afirmação, que pode parecer simples, carrega uma mudança importante na forma de planejar tratamentos.

    Quando a prioridade clínica é qualidade da pele — melhora de textura, redução de flacidez fina, aumento de luminosidade e firmeza —, a bioestimulação de colágeno ocupa o centro do plano. Não como coadjuvante. Não como "complemento" de preenchimento. Como eixo principal.

    Agentes como Radiesse diluído atuam como indutores de neocolagênese: estimulam o tecido a produzir colágeno novo, melhorando a estrutura da derme de dentro para fora. Esse processo é gradual, não imediato. Os primeiros resultados começam a aparecer em semanas, e o efeito pleno pode levar meses para se estabelecer. Para a paciente que busca resultado instantâneo, isso pode parecer lento. Para a paciente que entende o que está em jogo, é exatamente o tipo de resultado sustentável que ela procura.

    O MEXS 2023 trouxe dados que reforçam a importância da seleção criteriosa da paciente. Nem todo tecido responde da mesma forma à bioestimulação. Peles muito finas, com fotodano severo ou com perda avançada de estrutura profunda podem precisar de uma abordagem combinada — e, em alguns casos, a bioestimulação isolada não será suficiente. Reconhecer esses limites é parte do compromisso clínico com resultado honesto.

    Na minha prática, a bioestimulação não é um procedimento que ofereço por padrão. Ela entra quando a avaliação mostra que a prioridade é tecidual, quando o perfil da paciente favorece a resposta biológica ao estímulo e quando a expectativa está alinhada com o tempo e o tipo de resultado que esse recurso oferece.

    Microbloco 1 — O que este congresso reforçou na minha prática

  • Regenerar função tecidual é clinicamente diferente de adicionar volume, e essa distinção muda a indicação desde a primeira consulta.
  • Qualidade da pele deve ser avaliada como eixo de tratamento independente, não como subproduto de outros procedimentos estéticos.
  • Bioestimulação de colágeno exige indicação individualizada por espessura dérmica, grau de fotodano e perfil geracional da paciente.
  • Microtox e abordagens regenerativas precisam de objetivo clínico claro — usar por tendência é o oposto de atualização responsável.
  • A decisão de não tratar ou de adiar um procedimento é, muitas vezes, a decisão mais sofisticada do plano terapêutico.
  • Como microtox e outras estratégias só fazem sentido com objetivo clínico claro

    Microtox — a aplicação de microdoses intradérmicas de toxina botulínica — é uma das abordagens que mais ganharam atenção recente no campo da dermatologia estética. A promessa é atraente: melhora de poros, redução de oleosidade, refinamento da textura, tudo sem a paralisação muscular clássica da toxina convencional. O conceito tem base racional, e há estudos que sustentam benefícios em determinados perfis de pele.

    O problema é a generalização. Quando microtox deixa de ser uma ferramenta com indicação precisa e vira "melhora geral de pele para qualquer pessoa", perdemos o que faz dela útil. A técnica funciona melhor em peles com poros dilatados, oleosidade aumentada e textura irregular em áreas específicas. Não é uma solução universal. E não substitui tratamentos que atuam em camadas mais profundas da derme.

    No MEXS 2023, a discussão sobre microtox trouxe exatamente essa calibragem. Não se tratava de desqualificar a técnica, mas de enquadrá-la no contexto certo: para qual paciente, em qual zona, com qual expectativa e em combinação com quais outros recursos. Quando essa resposta não é clara, a melhor decisão é não aplicar.

    Esse raciocínio vale para qualquer estratégia regenerativa. A pergunta nunca deveria ser "funciona?" — quase tudo funciona em algum contexto. A pergunta que realmente importa é: "funciona para esta paciente, neste momento, com este objetivo?" Essa diferença é o que separa prática clínica de entusiasmo terapêutico.

    O que esse congresso reforçou na minha forma de avaliar pacientes

    Avaliar uma paciente para um plano estético não é apenas identificar o que ela quer corrigir. É compreender o tecido, a história, o perfil biológico e a expectativa — e decidir, a partir disso, qual caminho faz sentido.

    O MEXS 2023 reforçou algo que já orientava minhas avaliações, mas que ganhou mais precisão: a importância de ler o perfil geracional antes de definir qualquer conduta. Uma paciente de 30 anos com queixas iniciais de perda de viço tem um repertório biológico muito diferente de uma paciente de 55 anos com flacidez estabelecida e fotodano cumulativo. O protocolo ideal para uma pode ser inadequado — ou até contraproducente — para a outra.

    Isso não significa que existe uma receita por faixa etária. Significa que a idade biológica do tecido, combinada com o histórico de exposição solar, a qualidade da derme, o uso prévio de tratamentos e a expectativa de resultado, precisa ser lida como um conjunto antes de qualquer indicação.

    O congresso trouxe discussões sobre como a espessura dérmica, mensurável por ultrassonografia de alta frequência, pode orientar a escolha entre bioestimulação, volumização ou abordagens combinadas. Esse tipo de dado refina a consulta. Transforma uma conversa baseada em queixa e intuição numa avaliação com mais previsibilidade e mais transparência para a paciente.

    Na minha clínica, isso se traduz em consultas mais longas, mais explicativas e mais honestas. Quando a paciente entende por que estou indicando bioestimulação em vez de preenchimento — ou o contrário —, a adesão melhora, a expectativa se ajusta e o resultado se alinha com o que foi prometido.

    O que esse congresso reforçou na minha forma de indicar, combinar ou recusar tratamentos

    Indicar um tratamento é uma decisão clínica. Combinar tratamentos é uma decisão estratégica. Recusar um tratamento é, muitas vezes, a decisão mais difícil e a mais importante.

    O que o MEXS 2023 reforçou nesse aspecto foi a necessidade de hierarquia terapêutica. Não basta saber que bioestimulação, toxina botulínica, laser e preenchimento são ferramentas disponíveis. É preciso saber qual delas entra primeiro, qual entra depois, qual pode ser combinada na mesma sessão e qual deve ser evitada em determinado contexto.

    Essa lógica de sequenciamento é o que diferencia um plano construído com raciocínio clínico de um plano montado por acúmulo de procedimentos. A tendência do mercado é somar: "faz bioestimulação, e toxina, e laser, e skinbooster, e peeling". A tendência clínica responsável é subtrair até chegar ao essencial: o mínimo necessário para o melhor resultado possível.

    Microbloco 2 — O que eu não incorporo automaticamente

  • Protocolos regenerativos padronizados sem avaliação individual de espessura dérmica, fotodano e expectativa real da paciente.
  • Uso indiscriminado de microtox como "melhora geral de pele" sem indicação clínica específica para o perfil tratado.
  • Associação automática entre "último lançamento" e "melhor opção" — novidade no mercado não é sinônimo de superioridade clínica.
  • Recusar tratamento é parte do meu trabalho. Se a avaliação mostra que a paciente não se beneficiará de determinado procedimento naquele momento, ou que a expectativa está desalinhada com o que a técnica pode oferecer, a conduta correta é explicar, ajustar e, quando necessário, não fazer. Nenhuma pressão comercial justifica uma indicação sem respaldo clínico.

    O congresso reforçou isso com uma frase que ficou comigo: o melhor procedimento é aquele que você sabe quando não fazer. Essa é a maturidade clínica que a atualização internacional deveria fortalecer — não a ansiedade de ter sempre algo novo para oferecer.

    O que mudou, o que apenas confirmou e o que eu não adotaria automaticamente

    Nem tudo que se discute em um congresso merece ser incorporado. E nem tudo que se confirma merece o mesmo peso. A honestidade editorial pede uma separação clara.

    O que mudou: a precisão com que avalio perfis geracionais. Antes do MEXS 2023, eu já individualizava tratamentos conforme a fase de vida da paciente. Depois, passei a usar parâmetros mais objetivos — como dados de espessura dérmica e padrão de resposta biológica ao estímulo — para justificar e refinar essas escolhas. A mudança não foi de direção, mas de resolução.

    O que confirmou: que qualidade tecidual é frequentemente mais importante do que volume. Que bioestimulação é uma ferramenta poderosa quando bem indicada e frustrante quando usada sem critério. Que a tendência de "regenerar tudo" sem avaliar o que cada tecido precisa é tão problemática quanto a tendência anterior de "preencher tudo". A confirmação internacional de algo que se pratica com consistência há anos é um dado de robustez, não de novidade.

    O que eu não adotaria automaticamente: protocolos fechados que tratam bioestimulação como receita aplicável a qualquer paciente. Narrativas que associam determinada marca a "regeneração superior" sem evidência comparativa sólida. E qualquer abordagem que prometa resultado regenerativo imediato — porque a biologia da neocolagênese simplesmente não funciona assim.

    O filtro autoral é o que dá coerência a essas três categorias. A atualização internacional oferece informação. O que transforma informação em conduta é o julgamento clínico construído em anos de prática, estudo e escuta da paciente.

    Como esse aprendizado se conecta à minha visão de naturalidade, segurança e resultado elegante

    Naturalidade não é ausência de tratamento. É presença de critério.

    Essa definição, que orienta minha prática desde o início, ganhou mais camadas depois do MEXS 2023. O que aprendi — ou, mais precisamente, o que confirmei — é que a naturalidade depende menos da técnica escolhida e mais da lógica que sustenta a escolha. Uma paciente tratada com bioestimulação bem indicada, na dose certa, no momento certo, terá um resultado natural. A mesma paciente, tratada com o mesmo produto, mas sem critério de indicação, pode ter um resultado decepcionante ou, em casos extremos, iatrogênico.

    Segurança segue a mesma lógica. Não basta que o produto seja seguro. É preciso que a indicação seja segura. Que a combinação seja segura. Que a expectativa seja realista. Segurança clínica começa na consulta, não na sala de procedimento.

    Resultado elegante, por sua vez, é o ponto onde naturalidade e segurança se encontram. É o resultado que melhora sem chamar atenção. Que envelhece bem. Que resiste ao tempo não porque congela a aparência, mas porque respeita a biologia.

    Microbloco 3 — O que isso muda para quem busca tratamento com critério

  • Permite entender por que a pele pode melhorar sem ganhar volume — e por que esse é frequentemente o resultado mais elegante e duradouro.
  • Ajuda a diferenciar clínicas que oferecem regeneração com base clínica real de clínicas que usam o termo como estratégia de marketing.
  • Mostra que o tratamento ideal muda conforme a fase de vida — e que isso exige avaliação individualizada, não protocolo fixo.
  • O que esta leitura ajuda a decidir melhor hoje

    Se você chegou até aqui, já entendeu que este texto não é sobre um congresso. É sobre como a atualização criteriosa muda a forma de cuidar da pele — e como essa mudança beneficia quem busca resultado com responsabilidade.

    A dermatologia regenerativa, quando praticada com rigor, oferece algo que a volumização isolada não oferece: a possibilidade de melhorar a qualidade do tecido de forma progressiva, duradoura e compatível com o envelhecimento natural. Mas essa possibilidade só se concretiza quando há avaliação individualizada, indicação precisa e expectativa honesta.

    Se você está considerando um tratamento regenerativo, as perguntas que recomendo levar à consulta são simples, mas reveladoras: por que regeneração e não volume? Para qual resultado esse tratamento é realista? O que posso esperar no primeiro mês e o que posso esperar em seis meses? Meu tecido responde bem a esse tipo de estímulo? E, talvez a mais importante: essa indicação foi feita para mim ou segue um protocolo padrão?

    Uma médica que responde essas perguntas com clareza provavelmente está praticando dermatologia regenerativa real. Uma médica que desvia ou generaliza pode estar oferecendo marketing regenerativo com embalagem técnica.

    A diferença está no filtro. E o filtro se constrói com estudo, experiência, atualização e — acima de tudo — honestidade com quem confia em você para decidir o que fazer com a própria pele.

    Conclusão editorial

    A dermatologia regenerativa não é um modismo e não deveria ser tratada como um. Quando praticada com critério, ela representa uma das evoluções mais relevantes da dermatologia estética contemporânea: a possibilidade de restaurar função, qualidade e densidade ao tecido cutâneo sem depender exclusivamente de volume ou de intervenções que mascaram o envelhecimento sem tratá-lo.

    O MEXS 2023 não me ensinou regeneração. Eu já trabalhava com bioestimulação de colágeno, com skin quality e com individualização por perfil geracional antes desse congresso. O que ele fez foi reforçar, com dados internacionais e com troca entre pares, que a direção está correta — e que refinamentos importantes podem ser incorporados quando se avalia com mais objetividade, se indica com mais precisão e se recusa com mais segurança.

    A paciente que entende essa lógica está mais preparada para escolher bem. Para perguntar melhor. Para distinguir entre o que é ciência regenerativa real e o que é promessa sem respaldo. E para confiar em uma prática que coloca qualidade acima de tendência, critério acima de novidade e elegância acima de exagero.


    Perguntas frequentes

    O que é dermatologia regenerativa e como ela se diferencia do rejuvenescimento convencional? Dermatologia regenerativa foca em restaurar a função biológica do tecido: estimular colágeno, melhorar densidade dérmica e recuperar qualidade da pele de dentro para fora. O rejuvenescimento convencional frequentemente se apoia em volume e correção de sinais visíveis. A diferença está no objetivo — regenerar a capacidade do tecido versus compensar o que ele perdeu com adição externa de produto.

    Bioestimulador serve só para dar volume ou tem outra função? Na avaliação dermatológica, bioestimuladores como Radiesse diluído atuam principalmente como indutores de neocolagênese — ou seja, estimulam o tecido a produzir colágeno novo. Quando usados com indicação precisa, melhoram firmeza, textura e qualidade da pele sem necessariamente adicionar volume. A escolha entre efeito volumizador e efeito regenerativo depende da concentração, da técnica e do objetivo clínico.

    Microdoses de toxina botulínica podem melhorar qualidade da pele? Do ponto de vista clínico, microtox pode refinar poros, reduzir oleosidade e melhorar textura em perfis específicos de pele. Não é indicação universal. Funciona melhor em áreas com poros dilatados e oleosidade aumentada, e não substitui tratamentos que atuam em camadas mais profundas. A indicação precisa de região, dose e perfil da paciente é o que separa resultado real de expectativa frustrada.

    Quando regenerar faz mais sentido do que preencher? Dra. Rafaela Salvato avalia cada caso individualmente, mas de forma geral, regenerar é prioridade quando a queixa principal envolve perda de viço, textura irregular, flacidez fina e aspecto de cansaço sem perda volumétrica significativa. Se há déficit estrutural importante — perda de projeção malar ou mandibular, por exemplo — o preenchimento pode ser necessário, frequentemente em combinação com bioestimulação.

    A bioestimulação muda conforme a idade e o perfil da paciente? O que a experiência internacional mostra é que a resposta biológica à bioestimulação varia significativamente conforme a idade do tecido, o grau de fotodano e a reserva de colágeno. Uma paciente de 35 anos com pele íntegra responde de forma diferente de uma paciente de 58 anos com fotodano cumulativo. Isso exige protocolos individualizados, não padronizados.

    Qual a diferença entre restaurar qualidade tecidual e volumizar? Restaurar qualidade tecidual significa melhorar espessura, firmeza e função da derme — o resultado é uma pele mais densa e luminosa, não necessariamente mais volumosa. Volumizar significa repor projeção perdida com preenchedores. São abordagens complementares, mas com indicações distintas. Dra. Rafaela Salvato define a prioridade com base na avaliação clínica, não na tendência do mercado.

    Regeneração cutânea dá resultado imediato? Na avaliação dermatológica, tratamentos regenerativos como bioestimulação de colágeno têm resultado progressivo. A neocolagênese leva semanas a meses para se estabelecer plenamente. Pacientes que buscam mudança visível imediata podem precisar de estratégias complementares. Entender essa temporalidade é parte do compromisso com expectativa honesta e resultado duradouro.

    Como saber se minha pele precisa de regeneração ou de preenchimento? Dra. Rafaela Salvato recomenda que essa definição venha sempre de uma avaliação presencial detalhada. Em geral, quando a queixa principal é perda de qualidade — textura, luminosidade, firmeza — a regeneração é prioridade. Quando há perda de contorno e projeção, o preenchimento pode ser necessário. Frequentemente, o plano ideal combina ambas as abordagens em sequência clínica definida.


    Nota editorial

    Texto revisado por médica dermatologista em abril de 2026. e credenciais

    Este artigo foi escrito por Dra. Rafaela Salvato, médica dermatologista, CRM/SC 14.282, RQE 10.934, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A autora mantém participação ativa em contextos internacionais de atualização médica, incluindo o Merz Aesthetics Expert Summit (MEXS), e é pesquisadora com produção científica registrada (ORCID: 0009-0001-5999-8843).

    O conteúdo desta página reflete interpretação clínica autoral baseada em experiência profissional, evidência científica disponível e atualização contínua. Não constitui prescrição, diagnóstico ou recomendação individual de tratamento. Toda decisão clínica deve ser precedida de avaliação médica presencial.

    Quando marcas ou tecnologias são mencionadas — como Radiesse, Xeomin ou Ultherapy —, trata-se de contextualização factual dentro do raciocínio clínico, sem qualquer vínculo promocional ou patrocínio. A escolha de qualquer tecnologia depende exclusivamente da avaliação individual da paciente.

    Clínica Rafaela Salvato Dermatologia Av. Trompowsky, 291, Salas 401–404, Torre 1 — Florianópolis, SC Telefone: (48) 98489-4031


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